O SEO mudou: ele virou Search Everywhere Optimization (e sua marca precisa aparecer em mais lugares)

O SEO mudou. Agora significa Search Everywhere Optimization

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Em maio de 2025, Rand Fishkin, um dos maiores nomes do marketing digital, publicou um texto que caiu como uma luva para entendermos o contexto atual das buscas: “Seriously, please stop with the new acronyms. It’s still SEO: Search Everywhere Optimization” (“Sério, parem com as novas siglas. Ainda é SEO: Otimização para Busca em Todo Lugar”).

A mensagem era clara: pare de inventar siglas novas (AIO, GEO, LLMEO etc.) e entenda que o SEO tradicional não morreu. Ele simplesmente cresceu. Virou Search Everywhere Optimization, ou otimização para busca em todos os lugares.

Esse assunto está presente nas discussões de especialistas em tráfego orgânico e no meio do SEO, com vídeos e debates reforçando que o foco não pode mais ser só no Google. É sobre aparecer onde o consumidor já está pesquisando, consumindo e decidindo comprar. E isso mudou tudo na estratégia de marketing.

Como as buscas evoluíram (e por que o Google não é mais suficiente)

Nos anos 2000, busca era sinônimo de Google. Você digitava na barra branca, clicava em um resultado orgânico e chegava ao site. Hoje, em 2026, esse fluxo é exceção, não regra.

Estudos recentes mostram que cerca de 58-60% das buscas no Google terminam em zero cliques (zero-click searches). O usuário lê o snippet, o AI Overview ou a resposta direta e não precisa sair da página. No Brasil, o Google ainda domina cerca de 90-95% do share de buscas tradicionais, mas o comportamento mudou radicalmente:

  • Zero-click e AI Overviews dominam perguntas simples (“qual o melhor restaurante em Vila Velha?”, “preço do iPhone 16”).
  • Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram viraram motores de descoberta para jovens e adultos (muitos começam a pesquisa por vídeo ou imagem).
  • Apps de delivery (iFood, Rappi) e marketplaces (Mercado Livre, Shopee) capturam buscas transacionais de alta intenção.
  • Assistentes de IA (Gemini, ChatGPT, Grok) respondem perguntas conversacionais sem mandar ninguém para site nenhum — e as pessoas já podem finalizar compras dentro da IA, como informamos no nosso artigo sobre comprar dentro da IA.

Resultado? Uma parte significativa das jornadas de compra começa e termina fora do site da marca. Um relatório Think with Google e dados semelhantes indicam que, no Brasil, mais de 50% das compras online iniciam em canais que não são o Google clássico. Se sua estratégia ainda é “vamos ranquear no Google e pronto”, você está perdendo visibilidade em pelo menos metade do funil.

Onde as pessoas realmente buscam hoje (plataformas que não podem ser ignoradas)

Aqui está o mapa real do “everywhere” em 2026 no Brasil, com volumes aproximados de buscas mensais (baseados em relatórios públicos, mídia e estimativas de 2025/2026):

  1. Buscadores tradicionais
    • Google: ~ bilhões de buscas globais, dominando no Brasil (share ~90-95%).
    • Bing (crescente com integração ao Copilot).
  2. Plataformas de vídeo
    • YouTube (segundo maior buscador do mundo; buscas por tutoriais, reviews, “como fazer”).
    • TikTok (explodiu como motor de busca para Gen Z e millennials; Ex: “melhor sanduíche São Paulo”, “look verão 2026”).
  3. Redes sociais com busca forte
    • Instagram (Explore, Reels, busca por hashtags e perfis).
    • Pinterest (busca visual altíssima para inspiração, produtos, decoração).
    • Facebook (Marketplace e grupos locais).
    • Reddit (opiniões reais, reviews honestos).
    • LinkedIn (B2B, buscas profissionais).
  4. Marketplaces e e-commerce
    • Mercado Livre (barra de busca interna é o principal ponto de entrada para milhões).
    • Shopee e Amazon (filtros, sinônimos, fotos e avaliações decidem).
  5. Apps de delivery e serviços locais
    • iFood: ~120-160 milhões de pedidos mensais (buscas por “próximo”, “barato”, prato específico).
    • Uber/99 (busca por serviço, localização).
    • WhatsApp Business (catálogos e buscas internas em conversas).
  6. Inteligência Artificial e assistentes
    • ChatGPT: ~301-310 milhões de acessos mensais no Brasil (99% market share de IA generativa); globalmente, bilhões de interações.
    • Google Gemini, Grok, Perplexity (respostas diretas, citações de fontes).
    • Busca por voz (Google Assistant, Alexa) e visual (Google Lens).

Ignorar qualquer um desses canais significa ficar invisível em momentos decisivos. O cliente não “vai pesquisar”; ele já está pesquisando o tempo todo, sem perceber.

O que é Search Everywhere Optimization na prática

Rand Fishkin resume em três pilares simples:

  • Influenciar o Comportamento > Aumentar Posições — Influencie o comportamento antes de pensar em posição. Marketing inteiro importa mais que só ranqueamento. (Marketing será necessário por mais 100 anos. Posições, nem tanto.)
  • Medir Sucesso pela Influência, não pelo Tráfego — Tráfego é vaidade. O que vale é share of voice, menções em IA, recomendações em apps, visualizações orgânicas. (Tráfego é uma métrica vaidosa. O conteúdo do seu site importa cada vez menos na jornada do cliente.)
  • Estar Onde Sua Audiência Presta Atenção — Tráfego de busca virou recompensa por acertar em todos os outros lugares. (O tráfego de busca se tornou uma recompensa por fazer o marketing certo em todos os outros lugares!)

Vemos isso diariamente: negócios que investem só em Google Ads (e até os que investem no SEO tradicional, apenas visando o Google) perdem para concorrentes que otimizam perfis no iFood (fotos profissionais, respostas rápidas a avaliações, keywords no cardápio), títulos perfeitos no Mercado Livre (70 caracteres com sinônimos) e conteúdo curto + viral no TikTok/Reels.

Exemplos práticos que aplicamos:

  • TikTok/Reels: Primeiro 3 segundos com hook + legenda com keyword natural + hashtags locais.
  • iFood/Rappi: Nome do prato com termos buscados (“pizza marguerita grande Vila Velha entrega rápida”), fotos em alta resolução, nota incentivada.
  • Mercado Livre/Shopee: Título otimizado (“Fone Bluetooth Sem Fio TWS 5.0 Cancelamento Ruído Preto”), bullets com benefícios, schema para IA.
  • ChatGPT/Gemini: Conteúdo estruturado (FAQ, listas, schema.org) para ser citado como fonte confiável.
  • Pinterest/Instagram: Alt text descritivo, pins verticais otimizados para busca visual.

Não é sobre estar em tudo. É sobre priorizar os 4-6 canais onde seu público-alvo realmente busca e compra.

Por que sua marca precisa adotar isso agora

Marcas grandes já fazem. Pequenas e médias que ignoram pagam caro: concorrente aparece no topo do iFood enquanto você fica só no Google (que ninguém clica). Ou o TikTok recomenda o concorrente porque o vídeo dele tem melhor engajamento e keywords certas.

O bom é que SEO tradicional ajuda nisso tudo. Quem já sabe lidar com algoritmos mutantes do Google se adapta rápido aos do TikTok, Mercado Livre ou IA. Não precisa de time novo — precisa de estratégia integrada.

SEO maior, oportunidade maior

SEO não morreu. Ele evoluiu para Search Everywhere Optimization. O “E” que era de Engine agora é de Everywhere, e isso não vai voltar atrás.

Se sua marca ainda depende só do Google, está perdendo mercado. Olhe com cuidado para todos os lugares onde o cliente já procura: apps, redes, IA, marketplaces. Apareça lá, influencie a decisão e transforme visibilidade em venda.

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